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Indústria brasileira de instrumentos musicais aposta em mercado chinês

O mercado interno chinês nos últimos anos expandiu vertiginosamente e um dos grandes setores que cresceram foi o de instrumentos musicais.

Segundo dados do Governo Chinês, o valor do mercado de instrumentos musicais da China aumentou para US$ 6,5 bilhões em 2012, superando os Estados Unidos e se tornando o maior mercado de instrumentos musicais do mundo. Para se ter ideia, o volume de vendas da indústria chinesa de instrumentos musicais triplicou na última década, segundo as estatísticas da Music Chinaque acontece em Shanghai. No mesmo ano, a China importou mais de US$ 302 milhões em instrumentos musicais. E é pensando em disputar uma fatia desse mercado que três grandes marcas brasileiras (Meteoro, Odery e Tagima) resolveram participar da Music China, a maior feira de música da Ásia.

A Music China ocorre conjuntamente com a Prolight+Sound e é produzida pela Messe Frankfurt em conjunto com associações de música e de áudio chinesas. São 1775 expositores de 29 países que podem ser visitados nos 98 mil metros quadrados da feira que ocorreu entre os dias 8 e 11 de Outubro de 2014. A participação brasileira na exposição foi viabilizada através da parceria entre a Associação Nacional da Indústria da Música (Anafima) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Três grandes marcas brasileiras representaram a indústria nacional: Meteoro, Odery e Tagima.

Segundo Daniel A. Neves, presidente da Associação Nacional da Indústria da Música (ANAFIMA), o momento é muito favorável para a entrada das empresas brasileiras: “a China vive um momento muito favorável economicamente e os consumidores chineses desejam conhecer novos produtos e, sobretudo, desejam consumir marcas”, informa.

Das três representantes brasileiras, a líder do segmento de guitarras no mercado doméstico, a Tagima, é a única que inaugura a sua participação em feiras internacionais. Com estratégias até então pensadas em solidificar o mercado interno, a empresa agora se prepara para um novo desafio: o de internacionalizar a marca. “Estamos dando o primeiro passo para começarmos a exportar para a Ásia.Temos um distribuidor e a feira será uma ótima oportunidade para apresentarmos a marca para este novo mercado”, declara Ney Nakamura, presidente da Tagima.

Para conseguir alcançar os seus objetivos, a empresa irá oferecer o que tem de melhor em seu catálogo para o mercado chinês, visando atrair o público asiático de alto poder aquisitivo. “Não iremos brigar por preço aqui. Iremos oferecer o conceito da marca Tagima para os nossos novos consumidores”, destaca Nakamura. Para isso, a Tagima conta com um seleto grupo de músicos que irão se apresentar ao longo dos cinco dias de feira. Edu Ardanuy, consagrado guitarrista brasileiro, é um dos grandes nomes que a Tagima trouxe para a Ásia.

Além de Edu Ardanuy, o guitarrista Marcinho Eiras (conhecido pelo grande público brasileiro por integrar a Banda do Domingão do Faustão), o baixista Celso Pixinga e o baterista Mauricio Leite integram o grupo de músicos brasileiros que irão realizar apresentações no estande da marca.

Já a Meteoro é a veterana no mercado asiático. É a quarta edição que a empresa brasileira participa. Além disso, a marca de amplificadores possui uma fábrica na China. “Atualmente exportamos para 27 países. No entanto, com a crise que alguns países da Europa e os Estados Unidos sofreram, nossas vendas começaram a ficar prejudicadas. O meu produto produzido no Brasil é de alto padrão e, por isso, tem um custo muito elevado. Resolvemos montar uma fábrica na China para produzir produtos mais acessíveis com todo o reconhecido trabalho de controle de qualidade da Meteoro”, diz José Luiz Ferreira, presidente da Meteoro Amplificadores. Para ele, a Music China é essencial para a conquista de novos mercados no exterior: “Aqui vem gente de todo o mundo. Tenho clientes da Europa, de inúmeros países da Ásia e da Oceania e até mesmo das Américas”, completa.

A Odery produz baterias e, bem como a Tagima, resolveu apostar em vender os produtos premium no mercado chinês. A empresa possui uma forte parceria com uma rede chinesa de ensino musical e lojas que distribuem os produtos brasileiros em território asiático.

Por Miguel De Laet – texto e fotos

 

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